A Diageo, multinacional responsável por marcas como Johnnie Walker e Smirnoff, anunciou o lançamento de uma tecnologia baseada em inteligência artificial para aumentar a segurança dos consumidores de bebidas destiladas no Brasil. A iniciativa surge após um aumento nos casos de intoxicação por metanol em 2025, que resultou em 73 pessoas afetadas e 25 mortes, segundo dados do Ministério da Saúde, e abalou a reputação do setor.
Como funciona o Selo Drink Seguro
O novo recurso, chamado Selo Drink Seguro, utiliza uma impressão digital exclusiva (fingerprint) aplicada em cada garrafa do portfólio da Diageo — que inclui uísque, gim, vodca, tequila, licor e rum. Ao apontar a câmera do smartphone para o selo, uma inteligência artificial analisa o código e valida a autenticidade do produto, exibindo a mensagem "verificado". Caso o selo não seja reconhecido, o consumidor é direcionado para preencher um formulário com informações sobre o produto.
A tecnologia foi desenvolvida pela Securetrace, empresa responsável também pelos elementos holográficos da nota de R$ 100 e pelas películas de segurança do passaporte brasileiro. O sistema permite mais de 27 trilhões de combinações diferentes para garantir a singularidade de cada selo. A Diageo não divulgou o valor investido no projeto.
Segundo Paula Lindenberg, CEO da Diageo Brasil, a medida visa proporcionar mais segurança aos consumidores diante dos riscos trazidos pelas bebidas adulteradas. A campanha de divulgação do Selo Drink Seguro começa oficialmente em 15 de setembro de 2026, embora algumas garrafas já estejam circulando com a novidade. A expectativa é que até o final do ano todas as garrafas dos 49 itens contemplados estejam identificadas com o selo. Inicialmente, a tecnologia não será aplicada aos produtos da marca Ypióca nem a itens para consumo imediato, como a Smirnoff Ice.
Impacto no setor e desafios para o futuro
O crime de falsificação representa atualmente 4,7% do mercado total de bebidas destiladas no Brasil, conforme pesquisa da Euromonitor International encomendada pela Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD). A onda de intoxicações por metanol em 2025 evidenciou os riscos à saúde pública e provocou uma crise de confiança no setor.
Paula Lindenberg destaca que a crise do metanol foi resultado de uma prática criminosa que trouxe consequências graves para a sociedade e reforçou a necessidade de fortalecer o mercado formal. No entanto, ela ressalta que a tecnologia, por si só, não é suficiente para eliminar a falsificação. Segundo a executiva, o combate ao problema exige também leis mais rigorosas e atuação conjunta com o poder público, incluindo penas proporcionais à gravidade do crime.
A Diageo integra a ABBD, ao lado de empresas como Pernod Ricard, Bacardi Martini, Beam Suntory e Brown Forman. Questionada sobre a possibilidade de compartilhar a tecnologia com concorrentes, Paula Lindenberg afirmou que cada empresa deve ter liberdade para escolher a solução mais adequada ao seu portfólio, mas defende que todas as iniciativas para proteger o setor e o consumidor são bem-vindas.
Expectativas e próximos passos
Com sede em Londres e fundada em 1997, a Diageo registrou faturamento global de US$ 20,2 bilhões em 2025. A empresa aposta que a adoção do Selo Drink Seguro, aliada a uma campanha de conscientização e a medidas legais mais rígidas, contribuirá para recuperar a confiança dos consumidores e reduzir o impacto da falsificação no mercado brasileiro de destilados.
Até agosto de 2026, o Ministério da Saúde já havia confirmado 17 novos casos de intoxicação por metanol, com outros 23 em investigação, sinalizando que o problema persiste. O setor aguarda os efeitos da nova tecnologia e das discussões sobre endurecimento das leis para avaliar o real impacto dessas medidas na segurança do consumidor.

